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Como o Blockchain revolucionará a sua vida!

Por Ricardo Abreu

Em 2008 o mundo sentiu um grande impacto com a crise financeira mundial, que começou nos EUA com um problema no setor imobiliário. De forma bem simplificada, a crise imobiliária se deu por conta dos bancos americanos concederem empréstimos a clientes com mau histórico de pagamento (financiamento de alto risco chamado “subprime” – de segunda linha). Quando solicitavam um financiamento, os clientes davam as suas casas como garantia. O problema é que o preço dos imóveis começou a cair e, com isso, as garantias também caíram. Os bancos, com medo do calote, começaram a negar novos empréstimos aos compradores de imóveis. Esse fato forçou uma redução no número de compradores e fez com que o preço dos imóveis caísse ainda mais. Pronto! Estava estabelecida a crise que levou o banco Lehman Brothers, quarto maior dos EUA, à falência e o mundo inteiro a sentir os reflexos dessa enorme crise que dura até hoje.

E como ninguém percebeu isso antes dessa bolha estourar? Uma das causas dessa “cegueira” foi, e ainda é, a falta de transparência entre as transações bancárias, pois cada banco tem autonomia para executá-las sem que muitas pessoas tenham acesso a esta informação. Outro fator determinante foi o fato dos bancos, como agentes financeiros que intermediam as transações, serem também os centralizadores dessas informações.

“Bitcoin é uma grande revolução não somente na ciência da computação, mas também nas ciências econômicas e teoria dos jogos.”

Diante dessa questão, em outubro de 2008, no auge da crise, um programador ou um grupo de programadores, de pseudônimo Satoshi Nakamoto (que tem a identidade ainda desconhecida) publicou em um fórum de discussão sobre criptografia, um estudo sobre uma criptomoeda, que seria descentralizada, sem a necessidade de um intermediário, como um agente financeiro, onde todas as suas transações seriam totalmente transparentes. Essa moeda foi chamada de Bitcoin, que é resultado de muita pesquisa na área da ciência da computação, criptografia e redes distribuídas. Bitcoin é uma grande revolução não somente na ciência da computação, mas também nas ciências econômicas e teoria dos jogos, pois as regras do sistema incentivam o comportamento honesto.

O Bitcoin é um assunto fascinante e muito interessante de ser explorado, porém ficará para depois, pois o que está por trás dele é de fato um universo totalmente novo, que irá revolucionar a forma como as transações são feitas em todo o mundo. E quando se diz transações não são apenas as financeiras, mas também os registros de contratos, os certificados de propriedade, as declarações de autenticidade e inúmeras outras que existem espalhadas pelo mundo. Esse universo a ser explorado atende pelo nome de Blockchain.

Blockchain não é algo pronto, ou seja, uma ferramenta para se utilizar, mas sim um conceito, onde uma estrutura de dados, que são os blocos, estão ligados em outros blocos de forma criptografada certificando que as informações não serão adulteradas. De uma forma mais simplificada: imagine que utilizando os conceitos de Blockchain, foi criado um “cartório online”. Sendo assim, João entrou em consenso com Alice e comprará a sua casa pelo valor de R$ 100.000 utilizando o “cartório online” para registro da transação. Então João e Alice assinam eletronicamente o contrato de compra e venda e enviam o primeiro bloco online que representa a transação. Todas as informações necessárias para a compra da casa estão contidas nesse bloco, como em um contrato de compra e venda em papel utilizado hoje pelos cartórios. Com isso, o bloco é enviado para todos os computadores que pertencem a rede onde o “cartório online” está implementado. Esses computadores irão validar e aprovar a compra através de algoritmos de consenso (algoritmos que contém a regra de como e quantos computadores precisam aprovar a transação). Após receber a aprovação, o bloco será adicionado a cadeia de blocos permanentes em todos os computadores da rede e não poderá mais ser alterada. Agora João tem uma nova casa, que está registrada de forma transparente e totalmente rastreável em um “cartório online” distribuído em diversos computadores. Ao optar pelo Blockchain, João teve uma vantagem enorme, pois não precisou contar com os serviços de intermediadores (os serviços de cartórios e prefeituras), economizando assim com o pagamento de diversas taxas.

 

A cadeia de blocos que a transação de compra foi adicionada é chamada de livro-razão distribuído, pois está em todos os computadores ligados à rede, sendo esse similar a um livro de contabilidade, onde são registradas todas as transações. Se algum novo computador for adicionado a essa rede, ele terá que baixar todo o livro-razão para não haver inconsistências.

Além da transparência e de não haver a necessidade de uma entidade centralizadora, o livro-razão distribuído torna quase impossível a fraude das informações, pois se algum indivíduo tentar modificar a informação de forma fraudulenta, deverá fazê-lo ao mesmo tempo em todos os computadores da rede, o que seria uma grande façanha.

Por todos esses motivos, o Blockchain vem sendo estudado para ser aplicado em diversas áreas. Com isso, surgiu um consórcio de grandes empresas como: Accenture, CME Group, Cisco, Fujitsu, Hitachi, IBM, J.P. Morgan, entre outras, que criaram um framework que define um grupo de regras e métricas para a orientação da implementação de Blockchain. Esse consórcio é chamado HyperLedger Project e tem como objetivo criar uma plataforma fácil de usar e robusta, onde quaisquer programadores ou empresas interessados em construir um software baseado em Blockchain pode usá-la como base.

Um bom exemplo de aplicação prática desse framework está no projeto desenvolvido pela empresa Amadeus, uma gigante de TI da indústria de viagens, que pretende transformar a experiência dos passageiros durante suas viagens e das companhias aéreas no modo como interagem com os clientes.

O protótipo, já em desenvolvimento, utiliza blockchain para o rastreamento de bagagem dos passageiros, e assim, poder antecipar um dos grandes trasntornos que é o estravio de bagagem. Desse forma, poderia verificar com antencedência se a bagagem está no mesmo voo que o cliente ou se foi para outro lugar diferente de seu destino. Com isso, pode-se utilizar softwares de inteligência artificial, como chatbots, para interagir com o cliente e informá-lo do ocorrido, solicitar o local que ele deseja que sua bagagem seja entregue e enviá-la sem maiores trasntornos.

O projeto utiliza, além de blockchain e AI, também realidade virtual para que o cliente possa tirar a maior vantangem possível que a tecnologia das companhias aéreas oferecem, como por exemplo ver dentro da aeronave qual o seu real acento e onde ele está posicionado.

Iniciativas como da Amadeus são uma demonstração de utilização real do blockchain fora do bitcoin, esse ainda é um conceito de tecnologia que está aprendendo a caminhar, mas com grande potencial de ser um maratonista. Ganhará maior utilidade e poderá ser aplicado no cotidiano das pessoas quando as empresas passarem a utilizar e difundir essa tecnologia na prática.

Assim como a internet foi uma grande revolução em termo de comunicação no mundo, o Blockchain é o conceito revolucionário e disruptivo para as transações. Em poucos anos a maioria das novas aplicações utilizarão o Blockchain em suas implementações.

E que venham os blocos!

By | 2018-03-01T11:19:07+00:00 março 1st, 2018|Categories: Sem categoria|0 Comments

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